Nova diretoria e novo ânimo para enfrentar os grandes desafios da luta sindical dos contabilistas

No último dia do ano e último como presidente do SINDCONT em um mandato que se encerra hoje, Manoel Pinheiro faz um balanço da atual gestão dentro do cenário nacional, e aponta as perspectivas para a nova diretoria que assume dia 01 de janeiro e segue à frente do sindicato até 31 de dezembro de 2024.

Esta é a segunda gestão em que Manoel Pinheiro preside o SINDCONT. Para ele, os próximos anos serão de novos trabalhos com uma nova coordenação política. Ele continuará na diretoria, mas desta vez como diretor administrativo-financeiro. A nova diretoria será presidida por Ricardo Assunção.

 

  • O senhor termina mais uma gestão à frente do SINDCONT. Que balanço pode ser feito sobre esta última gestão?

Nós estamos terminando neste 31 de dezembro nosso segundo mandato como presidente do SINDCONT. É com muita alegria que presidi nossa entidade por dois mandatos, coordenando um grupo político de sindicalistas, muito bem estruturado. Pessoas sérias e comprometidas com a ética, com a moral, e com uma boa representação dos nossos associados, dos nossos colegas contabilistas.

Este último mandato, talvez, tenha sido o mandato mais difícil. Foi uma gestão muito difícil, não por problemas em nossa entidade, mas pelas questões de âmbito nacional. É de conhecimento que a reforma trabalhista veio e sua maior finalidade era desestruturar o movimento sindical. E de certa forma, conseguiu, inclusive com o apoio do movimento sindical patronal. Já o nosso movimento, que é do lado laboral, e que é muito mais representativo do que o patronal, porque temos grandes sindicatos pelo Brasil todo, sentiu o peso dessa reforma.

Nossa categoria, por exemplo, tem, em todas as capitais, representação de sindicatos dos contabilistas; tem também em muitas cidades do interior. Em termos de federação, nós, aqui, somos de uma federação que representa o Norte e Nordeste [sem a Bahia]. Uma representação muito difícil e essa mudança nas leis agravou ainda mais, porque perdemos a arrecadação.

A questão da contribuição sindical já era quase facultativa, porque muita gente não pagava e nós tínhamos dificuldades para arrecadar. Nós já não tínhamos o apoio dos conselhos regionais de contabilidade e nem do federal, por questão política mesmo. Anteriormente, existia um convênio entre os conselhos e os sindicatos; cada novo profissional registrado no conselho, recebia a comunicação para contribuir com o sindicato. Mas, não acontece mais isso e isso dificultou muito as estruturas dos sindicatos.

Então, todos os sindicatos do Brasil, com a questão da contribuição sindical ou fecharam ou tiveram que fazer uma nova reestruturação. Aqueles que conseguiram fazer essa reestruturação estão sobrevivendo com as convenções e com serviços que já prestavam a sua categoria. No nosso caso, nós já tínhamos uma estrutura. Conseguimos fazer cursos de atualização, parcerias com entidades e, também, benefícios com relação a planos médico e odontológico, e de certificação digital. Nós já vínhamos oferecendo aos nossos associados esses serviços e foi isso que manteve a nossa estrutura. E o nosso sindicato é o que está em melhor situação com relação aos demais do Norte e Nordeste.

 

  • Quais os principais desafios vencidos e os que ainda estão por vencer?

O movimento sindical é um trabalho que não tem um desafio plenamente vencido, porque ele é contínuo. A cada ano, são novas tarefas, novas situações políticas e econômicas no país. No ano 2020, o grande problema foi a pandemia. Nós fomos atingidos, mas até que nossa categoria estava bem estruturada, porque já mantinha uma estrutura tecnológica e já fornecia a seus clientes informações contábeis, financeiras e fiscais, via internet, através de relatórios de sistemas. Mesmo assim teve que se adaptar a um atendimento on line. Hoje, cerca de 50% dos escritórios e das empresas de contabilidade oferecem o home officie para atender essa demanda. Este foi o grande desafio para a categoria e que deve continuar em 2021.

Além disso, as estruturas, agora, terão que se voltar para atender a própria empresa dentro da empresa. Então, a empresa é que terá que manter as informações, mas ter a coordenação, a supervisão de um profissional da contabilidade, junto a um profissional de TI [Tecnologia da Informação] e de um advogado. Isso para atender as demandas de informações para os órgãos públicos. Assim, o grande desafio para os próximos anos deve ser a adaptação à Lei Geral de Proteção de Dados, recém aprovada. Não só para a sociedade, para o indivíduo, mas todos os segmentos de empresas vão precisar se adaptar. E será um grande desafio, porque passa por um aspecto cultural, ético e de responsabilidade civil para com o acesso, retenção e o sigilo das informações.

 

  • O senhor sai da presidência, mas continua na nova diretoria. A direção que virá será de continuidade da atual?

Eu continuo na nova diretoria no cargo administrativo-financeiro. Mas, podemos dizer que não há exatamente uma continuidade. A ideia não é essa, porque no nosso entendimento, nós trabalhamos com gerações de profissionais. Então, a continuidade é substituída por mudanças, por novas plataformas, novos projetos. O grande projeto agora é exatamente atender a nova geração. Há uma grande mudança para a contabilidade e para o serviço do contador com essas novas formas de atendimento.

A plataforma de atendimento home officie e de informações nas nuvens, a adaptação perante a Lei Geral de Proteção de Dados, tudo isso gera mudanças muito importantes. Mas, talvez, tenhamos até certa facilidade. Vamos, claro, depender ainda mais da tecnologia. Mas, essa nova geração de contabilistas, praticamente, já sabe, já conhece bem os sistemas, sabe como operar em equipamentos e sistemas mais sofisticados. Tudo isso é uma grande mudança. Por isso, não é uma continuidade, a nova diretoria terá um novo projeto.

 

  • E o que os associados podem esperar da nova diretoria?

Os associados podem esperar da nova diretoria muito trabalho, com propostas de mudanças para fortalecer ainda mais a categoria. Vamos colocar o profissional em primeiro lugar, principalmente, o profissional autônomo, o profissional liberal, o consultor. Achamos até que o nosso modo de constituição de empresas de contabilidade está sendo superado pela consultoria. Hoje, uma pequena empresa em geral, dependendo do planejamento, pode se tornar uma média e, às vezes, uma grande empresa. É importante que o contador também cresça com ela. O contador, hoje, pode pegar uma pequena empresa e crescer junto com essa empresa e ali ele ser o seu gerente, seu consultor, seu diretor contábil dentro de uma estrutura de empresa…

Então, vamos fortalecer o associado, atraindo individualmente esses profissionais para que a gente trabalhe com uma representação mais forte. Fazer com que nós tenhamos mais profissionais dentro das empresas do que a centralização de muitas empresas em um só escritório ou empresa de contabilidade. Nós queremos se possível, cada contador responsável por uma empresa. Mesmo que sejam pequenas. É uma maneira positiva de fortalecer o trabalho. Hoje, a contabilidade é uma gerência de vários assuntos, você inclui a questão econômica, a financeira, a administrativa, recursos humanos, a tecnologia da informação… Hoje, somos mais um consultor do que um contador apenas, porque acabamos sendo os responsáveis por coordenar e assinar o balanço junto com o representante da empresa.

Por isso, achamos importante que o ano 2021 venha com um planejamento para todos os segmentos. Precisamos de uma nova discussão sobre o posicionamento, um reordenamento de funções entre contador, administrador, economista, advogado… Essas profissões estão se ligando em determinadas funções e isso pode causar problemas no futuro, porque o contador tem o conhecimento, mas a legislação não permite você ser o responsável por aquela atividade. Você não pode ser só quem assina o balanço sem acompanhar, sem ter conhecimento técnico que dialogue com outras profissões. Precisamos seguir reto no sentido de acompanhar e ter um desenvolvimento técnico que acompanhe o desenvolvimento dessas outras profissões. Nós temos que discutir junto com os advogados, com os economistas sem ser advogado, sem ser economista. Trazendo, assim, a visão da contabilidade para ver como essas atividades podem atender a contabilidade e como a contabilidade pode atender essas outras atividades profissionais.

 

  • Então, quais as suas perspectivas para o novo mandato?

Fortalecer ainda mais a entidade e a nossa categoria. Nós saímos da presidência do SINDCONT, mas assumimos a presidência da Federação dos Contabilistas do Norte e Nordeste. Queremos reestruturar a questão territorial dos sindicatos. No Ceará, a gente pretende ter, pelo menos, três ou quatro novos sindicatos por regiões, porque aí nós vamos desenvolver mais no que diz respeito a essas tecnologias, mas também, nos fortalecendo junto às atividades econômicas de cada região, pois muitas empresas ainda precisam de bons profissionais de contabilidade. A ideia é dividir o nosso território com mais sindicatos para fortalecer a categoria.